No tempo das Cruzadas
O cavaleiro Sir Dawein foi chamado para lutar nas Cruzadas. Sua bela esposa, Lady Davina, fica chorando pelos cantos, já saudosa de seu amado esposo.
- Devo lutar para defender a fé, Davina! Matarei os infiéis e voltarei para ti! Irás me esperar? – pergunta o aflito Dawein.
- Sim, meu amado! Estarei em oração aguardando o teu retorno.
- Mas, Davina! Eu tenho ciúmes… A tua beleza…
- Se quiseres, amado Dawein, posso usar um cinto de castidade. Com isso, poderás matar pagãos com mais tranquilidade! – fala, resoluta, a bela Davina.
- Sim, amada Davina! Mandarei o artesão fabricar o cinto…
Na véspera da partida, Dawein e Davina têm uma noite espetacular. Após o amor, Dawein, com a consciência pesada, diz a Davina:
- Posso morrer no campo de batalha, amada Davina! E não será justo que tu, no auge de tua juventude e beleza, guarde eterna viuvez! Colocar-te-ei o cinto, mas darei a chave dele a meu leal servo Humbert. Se chegar a teus ouvidos a notícia de minha morte, ele te entregará a chave e poderás viver a tua vida!
Após mais uma prova de amor, os dois se agarram retumbantemente.
Manhã fria, sol oculto, Dawein monta em seu cavalo e chama Humbert, seu servo mais fiel:
- Humbert, cuida dessa chave! Se eu morrer em combate, entregue-a a Davina!
- Não morrerás, mestre Dawein! És bom e justo! Mereces a vida plena e a paz! – grita entre lágrimas o magro e pequeno Humbert. – Tu retornarás, mestre!
Do alto da torre do castelo, Davina observa seu amado partir. Sem olhar para trás, Dawein segue para cumprir o seu destino, construir a sua lenda pessoal. Cavalga firme, mas seus olhos trazem uma tristeza abissal: “Davina, Davina, quando sentirei de novo o sabor de teus beijos?”
Já cavalga há quinze minutos, quando escuta a voz de alguém que o chama:
- Sir Dawein! Sir Daweeeeeeeein! Sir Daweeeeeeeeeeeeeeeeein!
Dawein olha para trás e vê o seu magro, pequeno e fiel servo Humbert montado em um pangaré a toda velocidade, agitando a chave do cinto de castidade em uma das mãos:
- Sir Dawein! Sir Dawein!
Dawein pára:
- O que foi, Humbert? O que aconteceu?
E Humbert, esbaforido:
- A chave, sir Dawein! A chave! O senhor me deu a chave errada…
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é uma porra isso!!