Um crime!
Manuel Joaquim há tempos desconfiava que Maria o traía. Toda a vez que ele ia para o trabalho, na padaria, desconfiava que Maria recebia alguém para colóquios carnais. Aquilo lhe afligia a ponto de ele ter comprado um revólver. Esperava o dia em que sua suspeita fosse confirmada.
Como não podia largar a padaria, Manuel Joaquim chamou Fidélis Figueira, o vagabundo do bairro, deu a ele uma nota de cem e disse:
- Quando eu vier a padaria, tu ficas lá perto de minha casa, de vigia. Se entrar algum homem lá, me avisa! – E deu a Fidélis um velho celular, estilo tijolão.
Tempos depois, Fidélis vigiando, um negro bateu à porta da casa de Manuel Joaquim. Maria abriu e abraçou o negro com paixão. Fidélis imediatamente ligou para o seu chefe:
- Seu Manuel, o senhor está certo! Dona Maria está lhe traindo! E com um negão! Quem é? Sei não, seu Manuel… Conheço não!
Manuel Joaquim Vasconcelos pegou sua arma, encheu o tambor de balas e seguiu rumo a sua casa. Em seus olhos, o vermelho do ódio lusitano!
- Vou matar esse negão! Depois mato Maria! Depois me mato!
Nesse exato momento, um pastor afro-descendente sai de sua igreja, depois de duas horas de intensa oração. Está com o semblante luminoso de felicidade. Bíblia de baixo do braço, descia a rua quando topou com o Manuel Joaquim. Este o olhou com firmeza: seria o tal que Fidélis viu?
- O senhor está muito sorridente, muito feliz. Vens de onde? – Pergunta o luso furioso.
E o pastor afro-descendente ergueu os braços para o céu e, quase cantando, disse:
- Eu venho da casa do Senhor!
- Ah safado!!! – E Manuel Joaquim meteu três tiros no pobre pastor afro-descendente.
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